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31 de Julho de 2018

Estoques de arroz são os mais baixos em dez anos

Os estoques de arroz do ano comercial de 2018, que começou em março e se encerra em fevereiro de 2019, são os mais baixos dos últimos dez anos. A afirmação é do presidente da  Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles. Ele confirma a projeção feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no último dia 10, de que o volume final do grão armazenado vai baixar para 321 mil toneladas, quantidade que será suficiente para atender a demanda nacional por apenas dez dias. Dornelles frisa que é uma situação de atenção, mas que a produção sempre foi estável no Rio Grande do Sul. Por isso, entende que não há motivos para preocupação com desabastecimento.

 

O presidente da Federarroz vê como único motivo de alerta no momento o fato de que, em função do clima – inverno gaúcho muito chuvoso –, há pouquíssimas áreas preparadas para plantio. “Estamos nos aproximando de setembro, período em que começa o plantio, e poucas áreas estão preparadas e aptas  para a atividade. Isso tudo pode se reverter, mas precisamos que, daqui para frente, o clima colabore”, salienta. Ele explica que as chuvas que têm ocorrido são de baixos volumes, não ajudando a encher as barragens mas impedindo o produtor de trabalhar no solo.

O diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Tiago Barata, diz que a Conab, trabalhando em relatório de dois meses atrás, fez correções na posição do estoque inicial, que é referente a março do ano comercial de 2018, e já reduziu muito o volume: de 1,3 milhão para 700 mil toneladas. E em função da safra brasileira e da estimativa do que vai ser importado, exportado e consumido, projeta um estoque ainda mais baixo em fevereiro, de cerca de 300 mil toneladas. Conforme Tiago Barata, essa posição final de estoque é consequência do que deve ocorrer ao longo do ano. “Então, muita coisa pode acontecer daqui para a frente”, observa.

 

Barata salienta que independente de ser R$ 100 mil a mais ou a menos do que o volume projetado pela Conab, há convicção de que este será um ano de enxugamento da disponibilidade de produto e de oferta de arroz muito ajustada à necessidade de consumo brasileiro. Quanto à possibilidade de impacto desse fato na inflação, o diretor comercial do Irga diz que o mercado se regula e que se os estoques forem insuficientes para atender à demanda, o Brasil aumenta as importações, como já ocorreu várias vezes. “O Brasil, inclusive, importa sem ter necessidade porque tem produto no mercado interno. Então, se precisar, vai fazer”, completa.

Preço para o produtor aumenta desde abril

Os preços do arroz para o produtor, que vinha reclamando do recebimento de valor abaixo do mínimo (R$ 36,00) e do custo de produção, vêm apresentando recuperação desde abril deste ano comercial. A saca de 50 quilos agora está valendo de R$ 42,00. E este aumento é o primeiro sinal de estoques baixos, segundo o coordenador da Comissão do Arroz da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Francisco Schardong.

 

O diretor comercial do Irga, Tiago Barata, avalia que o preço do cereal está melhorando, mas ainda longe do ideal, pois não cobre o custo de produção (R$ 45,00 a saca). Conforme ele, poucos orizicultores ainda têm arroz para vender e aproveitar a valorização do grão. “Grande parte dos produtores não tem condições de esperar para vender o produto no melhor momento porque precisa pagar as dívidas”, acrescenta.

O presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, estima que apenas 30% dos produtores poderão usufruir  dos valores superiores aos que vinham sendo praticados. Para o consumidor, o preço segue o mesmo no momento, segundo Schardong, pois os produtos que estão nas gôndolas ainda são os adquiridos há mais tempo.

 

 

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